Os observatórios astronômicos constituem-se em locais destinados à pesquisa científica (observatórios profissionais), ao ensino e divulgação (observatórios públicos, didáticos ou os ligados a universidades), e à prática amadora ou hobbysta (observatórios particulares e de astrônomos amadores). Normalmente são construídos em locais de maiores altitudes e afastados dos grandes centros urbanos, amenizando a poluição luminosa e ganhando campo de visão do céu. Suas atividades observacionais na luz visível dependem das condições atmosféricas locais, mas geralmente há trabalhos alternativos durante noites totalmente nubladas ou chuvosas. A maioria dos observatórios públicos e de universidades oferece cursos de curta duração em astronomia e abrem as suas dependências para visitações, além de desenvolver trabalhos na área da astronomia observacional visando a relação entre astrônomos amadores e astrônomos profissionais (LANGHI e NARDI, 2012). 

Incentivando a visita nestes espaços não escolares e visando um aprendizado prático do conteúdo em astronomia, os documentos oficiais da educação brasileira do MEC (Ministério da Educação) salientam a necessidade de atividades práticas e visitas preparadas a observatórios, planetários, clubes e associações de astrônomos amadores, museus de astronomia e de astronáutica (BRASIL, 1999). No entanto, Delizoicov et al (2002) alertam que esses espaços não devem ser encarados só como oportunidades de atividades educativas complementares ou de lazer, mas devem fazer parte do processo de ensino/aprendizagem de forma planejada, sistemática e articulada. Apontamos para a necessidade de estes estabelecimentos, tal como nosso Observatório, desenvolverem propostas educacionais para diferentes públicos, não permanecendo apenas como locais para “passeio” (SANTANA, 2017).

Quanto às pesquisas referentes ao ensino e à divulgação nestes locais, ainda podem ser consideradas escassas em nosso país, apesar de a quantidade ter aumentado sensivelmente (MARANDINO, 2003). De fato, são raros os estudos nacionais diretamente relacionados à Educação em Astronomia que consideram as atividades de popularização, educação informal e não-formal de estabelecimentos tais como planetários, observatórios e clubes de astronomia, dentre eles, os trabalhos de Baptista (2003), Silva (1999) e Elias (2006). As pesquisas nestes espaços não escolares vêm ocorrendo principalmente em uma abordagem do ensino informal, com resultados que apontam estes centros como contribuintes para alterações do procedimento e atitude, mas não tanto no sentido conceitual. Porém, outras pesquisas sobre aprendizagem especificamente em planetários, embora em número bastante reduzido no Brasil, demonstram que os conteúdos conceituais também podem ser trabalhados (BARRIO, 2007).

No âmbito da pesquisa sobre formação de monitores, um levantamento realizado por Barros (2017) apontou para alguns aspectos que um monitor poderia desenvolver para seu perfil profissional e pessoal, conduzindo à elaboração de um Programa de Formação de Monitores, o qual está em utilização até hoje em nosso Observatório.

O sensível aumento das pesquisas na área de ensino não formal deve-se ao crescimento do movimento de divulgação científica nos últimos anos, inclusive no Brasil, que vem contribuindo para a alfabetização científica, segundo Marandino (2003). Por isso, a autora alerta para a necessidade de se discutir as formas e as estratégias pela qual a divulgação científica vem ocorrendo fora do espaço escolar, o que tem produzido um crescimento no volume de pesquisas sobre atividades extracurriculares na área de educação em ciências. Museus de ciências e locais semelhantes (incluindo planetários e observatórios astronômicos) tem sido locus importante para investigações no campo do ensino de ciências e vários trabalhos têm procurado discutir os aspectos educativos desenvolvidos nestes espaços, incluindo fundamentações teóricas da área de formação de professores (JACOBUCCI, 2006).

Neste sentido, o Observatório Didático de Astronomia da UNESP configura-se como um campo em potencial para o desenvolvimento de trabalhos associados aos cursos de Licenciaturas e outros cursos de interesse. De acordo com o documento intitulado “Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial e Continuada dos Profissionais do Magistério da Educação Básica”, as atividades dos futuros professores “também compreendem a atuação e participação na organização e gestão de sistemas de educação básica e suas instituições de ensino”, o que engloba o “planejamento, desenvolvimento, coordenação, acompanhamento e avaliação de projetos, do ensino, das dinâmicas pedagógicas e experiências educativas”, bem como a “produção e difusão do conhecimento científico-tecnológico das áreas específicas e do campo educacional” (BRASIL, 2015, p.28).

O fato de o Observatório atender milhares de visitantes a cada ano (público, comunidade, professores e alunos) faz deste local uma rica “experiência educativa” (BRASIL, 2015, p.28), ainda pouco explorado pelos alunos da licenciatura. No âmbito da “produção e difusão do conhecimento científico-tecnológico” (BRASIL, 2015, p.28), os licenciandos e pós-graduandos possuem à sua disposição o Observatório para atuar na coleta de dados para o “planejamento, desenvolvimento, coordenação, acompanhamento e avaliação de projetos” na área de ensino e divulgação científica, desenvolvendo suas pesquisas essencialmente sobre Educação em Astronomia e Ciências afins, por meio de ICs, TCC, dissertações de mestrado e teses de doutorado. 

Compreendendo que a prática, enquanto componente curricular, deve ser efetivada ao longo do processo formativo do licenciando e, lembrando que esta prática não é o mesmo que o estágio supervisionado (BRASIL, 2015, p.32), o Observatório torna-se um local propício para o desenvolvimento desta prática profissional dos futuros professores, especialmente no que tange ao trabalho docente em espaços não formais de ensino, já que entendemos que a prática “é o conjunto de atividades formativas que proporcionam experiências de aplicação de conhecimentos ou de desenvolvimento de procedimentos próprios ao exercício da docência” (BRASIL, 2015, p.32).

Além disso, outras atividades de desenvolvimento profissional e projetos acadêmicos de pesquisa, não apenas em ensino de Física e de Astronomia, mas em outras áreas interdisciplinares, podem ser desenvolvidos no Observatório pelos alunos de outros cursos, tais como: iniciação científica, TCC, artigos científicos, trabalhos para congressos etc. Tais atividades, entendemos, vão além de um simples atendimento monitorado por alunos da universidade, pois:

  • Articularão “o saber acadêmico, a pesquisa, a extensão e a prática educativa” (BRASIL, 2015, p.29);
  • Realizarão “investigações sobre processos educativos” (BRASIL, 2015, p.29);
  • Poderão desenvolver competências e habilidades para a “avaliação, criação e uso de textos, materiais didáticos, procedimentos e processos de aprendizagem” (BRASIL, 2015, p.29);
  • Participarão “em projetos de iniciação científica (…), monitoria e extensão” (BRASIL, 2015, p.30);
  • Vivenciarão “diferentes áreas do campo educacional, assegurando aprofundamento e diversificação de estudos, experiências e utilização de recursos pedagógicos” (BRASIL, 2015, p.30);
  • Poderão desenvolver sua “comunicação e expressão visando à aquisição e à apropriação de recursos de linguagem capazes de comunicar” (BRASIL, 2015, p.30).

 

Portanto, diante do exposto, conforme fundamentado nas Novas Diretrizes e nas pesquisas da área de Ensino de Ciências, recomendamos fortemente que o Observatório Didático de Astronomia da UNESP seja locus atuante de formação inicial e continuada de professores e de graduandos da Unesp provenientes de diferentes cursos, sobre temas a ele associados. Uma situação ideal seria este espaço atuar na estrutura de um Laboratório Didático pertencente definitivamente à Faculdade de Ciências e não exclusivamente como um projeto de extensão, que ora se apresenta com fragilidades institucionais sazonais. 

Nos itens a seguir deste documento, apresentamos as importantes parcerias nacionais e internacionais conquistadas pelo Observatório, as organizações nacionais, internacionais e mundiais nas quais o Observatório está reconhecidamente cadastrado e registrado, a caracterização dos membros da equipe atual e seus graus de envolvimento nas atividades do Observatório, uma relação de todas as atividades de atendimento desenvolvidas neste ano, bem como das atividades internas de formação e planejamento, a quantidade de pessoas que assinaram o livro de visitas do Observatório desde 2012, as estatísticas gerais das atividades deste ano, alguns dos comentários do público registrados em nossas redes sociais, uma relação de links das notícias publicadas na mídia sobre o Observatório, as produções acadêmicas da equipe, os meios de sustentabilidade do Observatório e as aquisições e doações gentilmente recebidas neste ano.